O termopar tipo K (NiCr–NiAl, Chromel–Alumel) é o termopar industrial mais usado, com ampla faixa de temperatura, boa robustez mecânica e custo relativamente baixo.

Liga, construção e normas

  • Designação: Tipo K, par termoelétrico Níquel‑Cromo (positivo) / Níquel‑Alumel (negativo), também chamado Chromel/Alumel.tc-sa+2
  • Normas principais: IEC 60584‑1, ASTM/ANSI E230 (curvas de EMF, classes de tolerância).tc-sa+2

Faixa de temperatura e exatidão

  • Faixa típica de uso do par tipo K pelas normas: aproximadamente de −200 °C até +1260 °C.
  • Na prática industrial, muitos fabricantes recomendam uso contínuo mais conservador, em torno de 0–1150 °C, para preservar estabilidade e vida útil.
  • Limites de erro (IEC 60584‑1, valores típicos):
    • Classe 1 (especial): ±1,5 °C ou ±0,004·|t| (o que for maior) em boa parte da faixa.​
    • Classe 2 (padrão): ±2,5 °C ou ±0,0075·|t|

Condições de uso e limitações

  • Atmosferas adequadas: oxidantes ou levemente redutoras, vácuo limitado, gases neutros; ótima resistência à oxidação em alta temperatura.tc-sa+2
  • Atenção em:
    • Atmosferas fortemente redutoras, com enxofre, vapor de água em excesso ou ciclos térmicos muito agressivos, que degradam o NiCr e provocam deriva de calibração.
    • Faixas muito baixas (abaixo de −100 °C), onde outros tipos (T, E) podem oferecer melhor estabilidade.
  • Tempo de resposta: rápido em construções de diâmetro pequeno ou ponta exposta; mais lento em bainha grossa, porém com maior robustez. 

Aplicações industriais típicas

  • Tratamento térmico e fornos em geral: fornos de revenimento, têmpera, cementação, normalização, forjas e estufas de cura.
  • Metalurgia, siderurgia, fundição: monitoração de fornos de reaquecimento, panelas, fornos de calcinação e linhas de aquecimento de aço e ligas não ferrosas (em regiões onde não há contato direto com metal líquido agressivo).
  • Indústria de cimento, cal, vidro e cerâmica: controle de temperatura em fornos rotativos, fornos de clínquer, fornos de fusão de vidro, estufas de secagem e queima de cerâmica.
  • Indústria química e petroquímica: aquecedores de processo, fornos de craqueamento, reatores e trocadores onde a faixa até ~1100 °C é suficiente.
  • Motores, exaustão e combustão: medição de gases de combustão, escapamentos industriais e bancadas de teste de motores.

Para instalação correta do termopar tipo K, pense em três pontos: posição da junta quente, fixação mecânica e ligação elétrica com cabo apropriado.

Posicionamento no processo

  • Coloque a junta de medição na região de interesse térmico, longe de paredes frias ou fugas de gás, para evitar erro por gradiente.
  • Comprimento de imersão: mínimo de 8 a 10 vezes o diâmetro da proteção/bainha dentro do fluido ou gás, para reduzir erro por condução pelo metal.
  • Em altas temperaturas, prefira montagem na posição vertical quando possível, para evitar empeno da bainha pelo próprio peso. 

Fixação mecânica e proteção

  • Use poço termométrico ou bainha adequada ao processo (aço inox, Inconel etc.), sempre limpa e livre de óleos, umidade e contaminantes sulfúricos.
  • Vede bem o ponto de entrada no equipamento para evitar vazamento de gases quentes, que podem atacar o termoelemento e reduzir a vida útil.
  • Evite zonas de estagnação: instale o sensor onde haja fluxo representativo do processo (gás, líquido ou sólido em movimento).

Ligação elétrica e cabos

  • Use cabo de extensão ou compensação tipo K (NiCr–NiAl ou equivalente compensado), nunca cabo de cobre comum até o instrumento.
  • Respeite a polaridade: fio positivo (NiCr) no borne “+” do controlador/indicador; fio negativo (NiAl) no borne

Cuidados de roteamento e interferência

  • Passe o cabo de termopar longe de cabos de potência, motores, contatores e inversores para reduzir ruído elétrico.
  • Se o ambiente for muito ruidoso, use cabo blindado, com a blindagem aterrada em um único ponto (normalmente no painel).
  • Evite loops grandes de cabo; mantenha o trajeto o mais curto e direto possível até o instrumento.
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